"Ponto de vista"- Sobre alguém que "perdeu": "semimórias" .


 Sobre alguém que "perdeu": "semimórias".
   (Porquê esta palavra) ?

O autor destas linhas foi sempre muito mais interessado no presente e no futuro, reduzindo-se a sua memória a lampejos do passado sobre os quais mantem poucas certezas - e essas mesmo sentindo que necessitam de corroboração, excepto se respeitam a questões de natureza estrutural e de valores que no essencial julga terem permanecido em si mesmo sem grandes modificações.

Daí advem o termo "semimórias" - agregação de "semi" e de "memórias" - para baptizar um conjunto de trechos que serão também um convite para a sua contestação a quem porventura considere que apresentam a realidade de modo distorcido, e a que corresponderia com devido e ponderado comentário.

Para tal, o método do recurso à publicação através da Internet parece ser mais apropriado na medida em que o diálogo pode ser mais rápido do que o recurso à imprensa clássica, quer em termos jornalísticos, quer através de livros - e nunca impedindo a eventual publicação mais tarde em tais suportes.

E assim, inicio estes textos com a referência a um episódio bem recente e testemunhado por algumas dezenas de pessoas que participaram num almoço em que o convidado para uma intervenção biográfica foi o Comandante Carlos de Almada Contreiras, que apresentou uma resenha não só da sua vida como também - e de um modo mais pormenorizado - do período em que participou no movimento conspirativo que iria dar origem à sublevação militar ocorrida em 25 de Abril de 1974.

E, ao descrever o período que mediou entre Setembro de 1973 e a reunião que teve lugar em Cascais em 5 de Março de 1974, em que cerca de 170 oficiais do Exército (em que participei a título de observador conjuntamente com o Cte.Almada Contreiras e o 1ºTenente Agostinho Vidal de Pinho) aprovaram o conteúdo de um texto intitulado "O Movimento, as Forças Armadas, e a Nação" (que viria a constituir o documento de referência em que se basearia o Programa do "Movimento das Forças Armadas"), o Cte. Almada Contreiras concluiu afirmando "o Luís Costa Correia perdeu".

Tal afirmação - pela primeira vez referida publicamente, o que muito apreciei dado corresponder perfeitamente ao ocorrido - referia-se ao facto de o grupo de oficiais mais jovens que participavam mais activamente em reuniões de análise da situação política, e do qual o Cte.Almada Contreiras - já então um distinto Oficial - fazia parte, discordar do facto de eu advogar não só o envolvimento em tal processo dos vários oficiais que, sendo mais antigos, nem por isso deixavam de abertamente mostrar as suas convicções liberais e de oposição ao regime político de então (embora na sua grande maioria não dando sinais de disponibilidade para acções visando o derrube do regime político), como eu também defender um maior envolvimento de oficiais em funções operacionais.

Isto, porque pressentia que dentro de pouco tempo iria ocorrer uma inevitável sublevação militar, na qual a Marinha deveria participar de forma não apressada, organizada, e eficaz, de modo a que tivesse adequada consistência.

Reafirmei tal discordância no dia seguinte à reunião de Cascais, em encontro no Clube Militar Naval com representantes dos principais núcleos de Unidades e Serviços da área de Lisboa, informando que me retiraria de tais tipos de encontros até ao momento em que porventura as minhas perspectivas passassem a ser aceites.

O que não sucedeu - mas que não me impediu de participar, por proposta do Cte.Almada Contreiras ao então Cte.Pinheiro de Azevedo - Comandante da Força de Fuzileiros do Continente, na ocupação da sede da DGS/PIDE.

1 de Abril de 2018.
(Modificado em 2.Abril.18)