O recente episódio protagonizado pelo Major médico Nidal Hasan ao assassinar mais de uma dezena de camaradas seus, bem como ao ferir muitos outros, em plena base militar de Fort Hood, não pode deixar de suscitar diversas perplexidades e de renovar dúvidas sobre o futuro das relações entre os seguidores das três principais religiões monoteístas.
Acresce também o incidente em que um polícia afegão matou de surpresa cinco soldados britânicos, bem como outros casos análogos ocorridos no Iraque, e que tal como o ocorrido em Fort Hood podem por certo provocar nas forças armadas americanas e de outros países envolvidos nos confrontos no Médio-Oriente um acentuado nível de desconfiança face a militares muçulmanos.
Tais acontecimentos não devem deixar de nos fazer reflectir sobre os erros que se têm sucedido nas relações entre a generalidade dos países cuja cultura assenta nos valores do cristianismo e do judaísmo, por um lado, e os de matriz maioritariamente baseada no Islão.
A eventual melhoria de tais relações ainda dispõe por enquanto das oportunidades que têm sido dadas pelos erros estratégicos determinados pela generalidade das escolhas dos alvos para atentados bombistas nestes últimos países, que têm incidido maioritariamente sobre a população civil, o que não pode deixar de causar nesta um sentimento negativo contra os seus fautores, e de possibilitar que mesmo num país de alguma instabilidade política como o Paquistão as forças armadas e de segurança possam reagir com êxito a tais ameaças, caminho esse que deve ser aprofundado no Iraque e tentado no Afeganistão.
Porém, não o esqueçamos: só com uma solução de paz estável no confronto israelo-palestiniano é que haverá condições para um desanuviamento que retire às facções muçulmanas extremistas as razões que estão na origem do fomento da instabilidade actual.
A quem compete retomar a iniciativa para o encontro de tal solução ?
As respostas são óbvias.
08.Novembro.2009