"Ponto de vista": Fredrik de Klerk.
O falecimento de Nelson Mandela suscitou um enorme pesar à escala mundial, que não podia deixar de ser subscrito por quem advogasse e advoga os princípios de igualdade entre os seres humanos, e que se recordasse do modo como conduziu uma sociedade dividida em termos rácicos até um patamar democrático perdoando anos e anos de opressão a uma parte do povo sul-africano subjugada por uma minoria.
No entanto muitos tendem a esquecer o papel que em tal transição foi desempenhado por Fredrik de Klerk, e o facto de o prémio Nobel da Paz lhe ter sido atribuído em conjunto com Nelson Mandela em reconhecimento pela sua acção em prol do termo do "apartheid".
É justo, assim, recordar também Fredrik de Klerk, que conseguiu conquistar a minoria "branca" para o processo de transição, e aceitando com a maior dignidade passar a ser o Vice-Presidente de Nelson Mandela após o período de transição para um regime plenamente democrático.
É igualmente imperioso lembrarmos, a propósito da acção visionária de F.De Klerk, a irredutibilidade de António O.Salazar no que respeitaria a um processo de transição no império colonial, cuja inevitabilidade se desenhava com a independência da União Indiana e posteriormente das possessões francesas na Ásia e África.
Irredutibilidade que viria a caracterizar do mesmo modo a governação de Marcelo A.Caetano, que ainda recebeu o poder político a tempo de tentar uma solução democrática que, aplicada em Portugal e nas regiões ultramarinas, pudesse assegurar um futuro sem a eclosão de guerras civis naqueles territórios e a instabilidade que ainda se vive em alguns deles.
E, diga-se, sem as dificuldades que caracterizaram a vida da jovem democracia portuguesa, e cujo processo de maturação política está longe de ser concluído, como o demonstram as graves dificuldades em que nos encontramos, e o crescente desânimo e emigração existentes.
8.Dezembro.2013.