Uma nova palavra, porém já utilizada por outros autores, parece ser de oportuna utilização neste momento em que na União Europeia perpassam dúvidas sobre o seu futuro enquanto projecto político, e se requer um novo ânimo dos cidadãos na recuperação do entusiasmo com que por eles foi acolhida a ideia de uma Europa sem guerras e com uma colaboração progressiva na construção de uma união na Europa.
Tal palavra - EurUtopia - faz-nos recuar aos tempos em que a ideia de uma nova Europa, não fratricida e cooperante, suportada pela adesão voluntária de Nações e Estados bem como dos seus povos a causas comuns, começou a surgir quer na sequência das sequelas das guerras de 1914/17 quer das de 1939/45.
E faz-nos reflectir - neste ano em que passa o 60.º aniversário da rejeição pela França da ideia de uma Comunidade Europeia de Defesa - sobre os métodos utilizados na construção de um espaço comunitário europeu, procurando interrogações sobre sistemas alternativos ou complementares que poderiam ter sido seguidos, para podermos pensar se ainda haverá tempo para se proceder a correcções no caminho que tem vindo a ser seguido.
Detenhamo-nos então sobre uma primeira EurUtopia, e imaginemos então que com a criação do Mercado Comum e da Comunidade Económica Europeia tinham logo sido adoptados programas como os que viriam a ser conhecidos por Erasmuse por Leonardo (este, para facilitar a mobilidade de jovens trabalhadores), porém com uma dimensão e âmbito muito maiores, precedidos por ações de formação linguística visando a fluência numa segunda língua e que facilitassem assim as deslocações para outros países.
Suponhamos também que a criação do conceito "espaço Shengen", para todos os cidadãos das Comunidades Europeias teria acompanhado desde logo as disposições relativas aos programas para jovens, permitindo assim uma maior mobilidade geral na área abrangida.
Os efeitos de tais iniciativas - para cujo financiamento bastaria apenas uma pequena parte do que se dispendeu com a política agrícola "comum" - far-se-iam sentir desde logo, e o seu impacto iria crescendo com o decorrer do tempo, dando origem a mudanças de comportamento inter-geracional e trans-nacional que não deixariam de aumentar a coesão interna de uma união europeia em formação.
Ainda estamos a tempo de nestas áreas se fazer algo para além da mobilidade dos cidadãos em geral. Os resultados de tais iniciativas traduzir-se-ão num melhor conhecimento comum, sem o qual as tentativas de uma maior integração europeia continuarão a enfermar de significativas barreiras culturais.
26.01.2014.