"Ponto de vista": As últimas salvas do Império. ("Semimórias").


          As últimas salvas do Império  
       ("Semimórias").


São conhecidos os contornos da operação militar "Mar Verde", sobre a qual tem sido publicada abundante informação, incluindo alguns textos nestas net-páginas.

No entanto mesmo nestes surgem imprecisões que aliás são motivo bastante para que seja justificado o uso do termo "Semimórias", cuja escolha foi oportunamente explicada.

O presente texto aborda o início do retorno à base da ilha de Soga, quando o NRP "Montante" recebe a ordem de inverter o rumo e ir recolher uma dezena de elementos da Companhia de Comandos que se tinham atrasado por razões então não totalmente esclarecidas.

Eram quase 9 horas da manhã.

O navio aproximou-se a cerca de 800 metros de terra (pois a maré já vazava) pairando alguns minutos, tendo sido arriado um bote a motor no qual embarcou o referido pessoal, regressando a bordo, após o que foi iniciado o regresso à formatura naval.

Porém, são então disparados de terra alguns tiros de armas pesadas, visando o navio, que se encontrava ainda a cerca de mil jardas (900 metros) de terra, pelo que a "Montante" iniciou algumas manobras de "zig-zag" enquanto se informava o Comandante da Força Naval sobre o ataque que ocorria, e que de imediato autorizou a LDG "Montante" e a LFG "Dragão" (o navio que se encontrava mais perto da "Montante", e no qual tinham reembarcado os prisioneiros portugueses que tinham sido libertados) a dispararem "4 tiros de peça de 40 mm sobre os pontos prováveis do tiro inimigo, junto à margem".

Assim foi feito - embora não seja possível recordar se foi excedido o número de 4 disparos - tendo cessado o fogo hostil.

E assim se concretizaram as que julgo terem sido as últimas salvas do Império, nalgumas das quais a "voz de "fogo" foi da responsabilidade de um Comandante de Navio que, ao abrigo da Ordenança do Serviço Naval, tinha oportuna e lealmente exposto as suas dúvidas sobre os objectivos estratégicos da operação "Mar Verde" - salvo no que respeitava à libertação dos prisioneiros de guerra portugueses que se encontravam em Conacri.

Paradoxos da História.

13.Janeiro.2019