Futebol -: também não resisto...

 ......17.Junho.2026

No início de 1977,  terminadas as primeiras Eleições Constituucionais, cujo processo me tinha ocupado desde 1975,  tendo regressado à Marinha (por considerar que - entregue o Poder político - era o meu dever), fui colocado nos serviços de Educação Física por, conforme me foi referido, ter tal especialização e não a ter aplicado totalmente conforme previsto.

E lá estive largos anos, em que uma das minhas principais funções era a formação de Monitores de Educação Física (cujo IV Encontro decorreu há poucos dias).

Nela, uma das áreas cobertas era o Futebol.

Assim, e dado que a Selecção Nacional de Futebol se estreou hoje com um inesperado empate e e um fraco desempenho, eis algumas observações, então por mim coligidas para a citada formação, e apresentadas sob o modo de conselhos sintéticos e simples a jogadores (incidindo mais sobre situações de "ataque") .:

o esquecer: a bola corre mais que o jogador .
- Frente à baliza: bola parada, bola treinada, bola marcada.
- Grande penalidade: habitualmente o guarda-redes lança-se para um lado, pelo que um remate para o centro, a meia altura (ou a 1,30, ou a 1,90m), tem mais probabilidades de êxito 
- Tal como no andebol, a bola deve circular repetida e rapidamente entre as duas laterais até se conseguir distracção defensiva que permita a penetração - e para tal os extremos devem permanecer junto às respectivas linhas (o mesmo ocorrendo aquando da marcação de bolas de canto).
- O ponto a atingir no ataque deve situar-se a meia distância entre o canto e a trave, a fim de permitir o passe recuado (que muitas vezes até dá origem a golo de um defensor).
- Os avançados com poder de finta devem permanecer na grande área ou na área frontal junto a esta. a fim de tentarem provocar grandes penalidades ou livres directos (estes, preferencialmente na zona distante cerca de 27 metros da baliza  - o que permite rematar por cima da barreira visando um dos cantos superiores da baliza, ou, mediante simulação de tal tipo de remate, finalização rente ao terreno aproveitando o salto instintivo da cortina defensiva); (isto, com estatura média da linha defensiva na ordem dos 1,78)
- Após passe em situações de ataque, desmarcação imediata para zona livre de adversários.
- Pensar sempre, e com antecedência, em duas alternativas para proceder caso a bola lhe venha a ser passada.
- Os jogadores intermédios devem deslocar-se (quando com bola) em diagonais, de modo a poderem desequilibrar a estrutura defensiva adversária mediante eventual mudança da direcção do passe. 
- Em situações de ataque, evitar ter adversários por perto.
- E, muito importante: as situações de contra-ataque devem ser treinadas até à exaustão, de modo a ficarem "memorizadas", pois estão na essência do futebol moderno.

Como é óbvio, para que estes e outros conselhos possam ter aplicação prática não basta ser-se seleccionador ou um mero substituidor de jogadores durante um encontro e que, tendo o dom da palavra, explica depois o que porventura não tenha decorrido bem, não assumindo as suas responsabilidades...

E é necessário que tal pessoa tenha tempo e capacidade para adestrar uma equipa, de modo a que esta possa absorver as rotinas de base que, aliadas à criatividade interpretativa, são essenciais para o sucesso. 

Lugares comuns? Rudimentares? Talvez. 
Mas se nem estes forem considerados ...

Luís Costa Correia