O Presidente da República e o Poder Local

 ...... 5.Junho.2026.


O Presidente da República e o Poder Local

Extracto de intervenção do Presidente da República em 3.Junho.2026
No dia 12 de dezembro de 1976, num domingo de inverno, os portugueses elegeram pela primeira vez os seus representantes autárquicos em 304 municípios.

Foi o início da democracia onde ela começa: nas ruas, nos bairros, nas nossas freguesias.

Foi o início da democracia de proximidade.

Proximidade à vida concreta das pessoas, dos seus problemas reais. Proximidade também pela urgência de construir infraestruturas básicas que o país não dispunha na altura.

E proximidade, ainda, porque passou a haver interlocutores diretos, rostos que eram os nossos vizinhos, pessoas que todos conhecíamos.

Embora de natureza distinta, a eleição para Presidente da República e a eleição para Presidente de Câmara partilham esse elemento singular: são escolhas diretas, feitas numa pessoa com nome e rosto. Uma delegação de confiança pessoal.

O perfil, a personalidade, a proximidade, a competência são atributos que contam, e muito, na decisão de cada cidadão.

Sei bem o que isso significa em termos de exigência e de expectativa.

Mas no caso do Presidente de Câmara, há uma particularidade que o distingue: tem poder executivo direto e quotidiano. O tempo entre a decisão e o seu resultado é mais rápido, é mais visível.

Capacidade de decisão em áreas que tocam a vida concreta das pessoas: equipamentos públicos, obras, transportes, espaços públicos, apoios a projetos, licenças ou taxas. A relação com o eleitor é imediata e verificável.
Tal como o Presidente de Junta de Freguesia, é cargo onde a política tem nome, tem rosto e tem endereço próximo.

E com uma dupla exigência de proximidade: no espaço, junto das pessoas, e no tempo, com resposta rápida às suas necessidades.

Todos sabem onde mora o Presidente da Câmara ou da Junta de Freguesia. E o Presidente da Câmara e da Junta sabem onde moram os problemas. Quem diz os Presidentes, diz os vereadores e os membros da juntas de freguesia e das assembleias municipais.

Esta proximidade introduz um sentimento de proteção.

Cada cidadão sabe que é relativamente fácil o contacto com o Presidente, ou alguém próximo dele e, por outro lado, tem também a expetativa de que os autarcas vivem de igual modo os problemas estruturais que atingem toda a comunidade.

Por outras palavras, resumo nesta frase: “está aqui ao meu lado e conto com ele”.

É esta reciprocidade que está na origem do sucesso do Poder Local. Mesmo antes de estar formalmente instituído, logo após abril de 1974, várias organizações populares iniciaram a construção de equipamentos coletivos, saneamento básico e outras infraestruturas elementares.

Foi, em muitas regiões, o fim do país dos mínimos, para avançarmos para o Portugal com infraestruturas básicas que foram garantindo qualidade de vida às pessoas. Com o poder local, Abril chegou a todos os cantos de Portugal.

Passados cinquenta anos, o progresso é inquestionável e o reconhecimento do papel dos autarcas é justo e merecido.

Não tem comparação com o que existia antes. E hoje, em tempos de globalização, o local não desaparece, ganha relevância.

É igualmente percetível uma melhoria na competência técnica dos municípios. Com mais recursos, técnicos mais qualificados e, na sequência de processos de descentralização, com competências alargadas, por exemplo na educação e na saúde.

No entanto, o progresso não chegou a todos da mesma forma. As clivagens territoriais seriam provavelmente mais graves sem o trabalho dos autarcas, mas o interior continuou o seu processo de despovoamento e de empobrecimento relativo face ao litoral.

Uma esmagadora maioria de municípios perde população há décadas. Oitenta por cento dos portugueses vive em menos de um terço dos municípios. Esta assimetria não é um dado menor. É um dos maiores desafios estruturais que Portugal enfrenta.

E é o Poder Local que vive esta realidade na primeira pessoa.

Quando penso nos desafios que se colocam ao Poder Local nos próximos cinquenta anos, identifico pelo menos cinco que não admitem adiamento.

O primeiro é demográfico.

O envelhecimento da população e o despovoamento do interior remetem para várias questões de grande complexidade. Uma delas é a própria sustentabilidade de alguns municípios onde a população tem vindo a diminuir. Por outro lado, a situação crítica do gradual envelhecimento da população coloca exigências do ponto de vista produtivo e social, que exigem das autarquias novas respostas, mais onerosas e com recursos humanos difíceis de recrutar e de reter.

O segundo desafio é climático. As experiências recentes com fenómenos extremos, tempestades, incêndios e secas severas, mostraram algo que já sabíamos, e que agora se confirma com urgência: os autarcas são, numa expressão popular, os primeiros anjos da guarda das populações, a par dos membros da proteção civil e das forças de segurança.

É mais uma situação que a natureza do Poder Local obriga a que seja inadiável, que exige prevenção, capacidade de resposta e articulação entre o nível local, intermunicipal e nacional.

Muitas vezes sem se saber com que recursos, porque os outros órgãos políticos e administrativos funcionam em velocidades diferentes. Mas o primeiro responsável é “quem está aqui ao meu lado e conto com ele”.

O terceiro desafio é de financiamento. As autarquias obtêm pouco mais de 15% das receitas públicas e quase metade desta verba está dependente de transferências da administração central.

Faz-se muito com pouco, tem de se acautelar o previsto e responder ao imprevisto do infortúnio.

E paga-se a tempo e horas. O prazo médio de pagamentos das autarquias é de 22 dias, inferior ao limite legal de 30 dias, o que é exemplar em relação a alguns organismos estatais.

Assinale-se ainda que, apesar de pequenas exceções, a dívida total dos municípios apresenta uma trajetória de descida desde 2014. É evidente para todos que a descentralização de competências tem de ser acompanhada de recursos financeiros adequados.

Uma Lei de Finanças Locais que corresponda às competências transferidas não é uma reivindicação corporativa, é uma condição de funcionamento do Estado e da qualidade da nossa democracia. Saúdo com expectativa a iniciativa do Governo para a revisão da lei das finanças locais.

É igualmente urgente planear com a devida antecedência a resposta à eventual redução dos fundos europeus prevista a partir de 2028.

O quarto desafio é territorial. Há que ter um olhar diferenciado para tipologias de municípios que são radicalmente distintas.

As metrópoles exigem soluções que nada têm a ver com os municípios do interior profundo.

Não pode haver uma política autárquica única para realidades tão diversas. E aqui vale a pena evocar o princípio de Schumacher, “Small Is Beautiful”, que nos recorda que a escala humana tem um valor próprio, irredutível ao tamanho. Num país como Portugal, por exemplo, há autarcas que têm de gerir realidades tão distintas como um grande centro urbano e pequenas aldeias.

É uma complexidade que prova o erro de quem traça uma matriz comum a todos os municípios.

O quinto desafio é o da visão. A pressão do imediato é a maior armadilha do poder local. A natureza do cargo executivo, a resolução de problemas quotidianos e a permanente interpelação das pessoas, empurra as prioridades para o curto prazo.

No entanto, os melhores exemplos destes cinquenta anos de Poder Local, revelam que os maiores sucessos estiveram em quem ousou pensar além do mandato. Quem apostou no médio e longo prazo, quem recusou sacrificar o futuro à urgência do presente. Quem olhou o território, o seu território, e conseguiu governá-lo como um todo e em rede, envolvendo parcerias inteligentes e abandonando o velho paradigma hierarquizado.

A desertificação dos solos, agravada por uma agricultura intensiva, a má gestão dos recursos hídricos, o abandono da terra e da floresta, o urbanismo desordenado, as barreiras ao acesso à habitação, a indiferença ao universo digital, estas são escolhas que se fazem hoje e cujas consequências pagarão as gerações que nos sucedem. Não temos o direito de lhes hipotecar o futuro por egoísmo geracional.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Há uma frase que usei ao longo desta intervenção e que, para mim, resume os cinquenta anos de Poder Local melhor do que qualquer estatística.

"Está aqui ao meu lado e conto com ele.", seja presidente, vereador, membro da junta ou da assembleia.

A frase é a medida mais real da confiança que o cidadão deposita nos autarcas.

Mais imediata, mais verificável, mais exigente do que qualquer outra. Constrói-se na presença diária, na resposta às necessidades concretas das populações, no reconhecimnto das dificuldades e na partilha das soluções dos problemas da comunidade.

Esta proximidade é o maior património do poder local. E é também a sua maior responsabilidade.

Os próximos cinquenta anos exigem que esta frase seja mais do que o retrato de uma relação afetiva com o território.

Que seja também o retrato de uma governação capaz de antecipar, de inovar, de construir sinergias com outros municípios, com universidades, com empresas, com os próprios cidadãos. Uma governação que comunica melhor, que agrega vontades, que pensa em escala sem perder a alma local.

As opções dos últimos cinquenta anos foram, no essencial, apostas ganhas. Agora é preciso ganhar o futuro.

E o futuro, desde aquele domingo de dezembro de 1976, começa aqui. Junto das pessoas. Com um nome e um rosto que “está aqui ao meu lado e conto com ele”.

Muito obrigado."

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Incrível: Assembleia da República não comemora (hoje) a sua primeira Sessão (3.Junho.1976)?

 ...... 3.Junho.2026

Incrível: Assembleia da República não comemora (hoje) a sua primeira Sessão (3.Junho.1976)?

Já não bastou o facto de quase ter passado desapercebido o facto de ter decorrido em 25 de Abril de 2026 o V Aniversário das primeiras Eleições para a novel Assembleia da República, para aparentemente tal não constar da Agenda publicada para hoje...

Aguarda-se com curiosidade o decorrer do dia.

(Será que a anunciada greve geral na Função Pública e nas Entidades com esta relacionadas servirá como "justificação"?)

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Na História da Sublevação militar de Abril de 1974. Esquecimentos...

 ..... 30.Maio.2026

Na História da Sublevação militar de Abril de 1974. Esquecimentos...


No livro "Antologia – O 25 de Abril de 1974 – Testemunhos da Luta pela Democracia e pela Liberdade" – (Edições Colibri -  Autores: Almada Contreiras e Fernando Mão de Ferro)
 são mencionados - em artigo de Simões Teles - como tendo estado no Congresso da Oposição Democrática, num premonitório Abril de 1973, não só o Autor do artigo como também os seguintes Oficiais da Armada que, como ele, não tinham solicitado aos apropriados organismos da Marinha qualquer autorização para estarem presentes: Almada Contreiras , Martins Guerreiro, Lobo de Oliveira, Fausto Monteiro, Ferreira de Carvalho, Miguel Judas, Guedes Soares, Pires Soeiro, Sequeira Alves, e Vidal de Pinho, (tendo estado parcialmente presentes Ferreira Gouveia e Ferreira Batista), bem como os Aspirantes da Escola Naval : Cota Fevereiro e Pinto de Oliveira, e, também, o Cadete Paleta Marreiros.

É também mencionado que os seguintes Alunos da Escola Naval solicitaram autorização superior para estarem presentes no Congresso - tendo-lhes tal sido negado:  Marcos Carvalho Pereira, Martins Bettencourt, e Nelson Mateus.

Estes três Aspirantes têm sido algo esquecidos pela História, pois embora mencionados por algumas Historiadoras e Historiadores, creio que nunca foi adequadamente salientada a sua grande coragem, que poderia ter suscitado fortes reacções oficiais.

Reacções cuja inexistência também não deixou de ser surpreendente - e não o terá sido tanto sob o ponto de vista da então DGS/PIDE como também quanto ao da Marinha.

Algo que igualmente não terá recebido atenção adequada.

Aos três bravos Alunos, o meu vivo aplauso!

Aos restantes participantes no Congresso, o meu grande apreço.

Todos por certo teriam merecido posteriormente apropriado reconhecimento honorífico.

Mas não sereis esquecidos.

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Pensemos em comemorar o Tratado de Saragoça, em Abril de 2029.

 ...... 28.Maio.2026

Pensemos em comemorar o Tratado de Saragoça, em Abril de 2029. 

Caro Dr. António José Seguro, ilustre Presidente da República, e Comandante Supremo das Forças Armadas.

Permita-me que lhe sugira a hipótese de, ouvido o Conselho de Estado, propor ao Governo o estudo da comemoração conjunta, com o Reino de Espanha, do V Centenário do Tratado de Saragoça, que prolongou o de Tordesilhas, assim dividindo - com o de Alcáçovas - o Globo terrestre em termos paritários.

Entre Portugal e Espanha.

Algo que até agora nunca foi ousado.

Luís Costa Correia.

(Em tempo: ideia apresentada na Sessão de 2 de Junho da Academia de Marinha)

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Dia da Marinha

 ...... 20.Maio.2026

Dia da Marinha - 2026

Decorreu hoje em Setúbal a Comemoração do Dia da Marinha, cuja celebração se prolongará até ao dia 24 do corrente mês. 

Presidida pelo Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, bem como pela Dra. Maria das Dores Meira - Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, a Cerimónia constou da apresentação  de uma simples e também bela e simbólica obra de arte "mirando" o rio Sado, "governada" por adequada Roda de Leme, tendo o Almirante Nobre de Sousa proferido uma interessante  alocução, na qual as responsabilidades actuais da Marinha foram oportunamente recordadas de modo marcante, palavras que foram seguidas por um sentido discurso da Ex.ma Presidente da Câmara Municipal, visivelmente emocionada com a escolha de Setúbal para esta Celebração.

Acompanhados pelo Capitão do Porto de Setúbal, e por outros altos responsáveis da Marinha, bem como por outras entidades oficiais e pessoas - setubalenses e outros visitantes - as e os presentes tiveram a oportunidade de conhecer - no mesmo local - uma interessante Exposição descritiva das actividades da Marinha - que continuará presente mais alguns dias.

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Em tempo (23.Maio), Cerimónia Militar, em que ressaltaram os importantes discursos do Ministro da Defesa Nacional e do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, bem como desfiles de diversas das respectivas Forças, incluindo demonstrações no Rio Sado e aeronavais - incluindo "drones".


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Um país a prazo ?

 ...... 18.Maio.2026

Um notável texto de Jorge Martins Bettencourt

"MEUS NETOS NÃO PODEM HERDAR UM PAÍS A PRAZO

Sou avô de oito netos das gerações Z e Alfa. Olho para eles e vejo inteligência, curiosidade, preparação e uma espantosa capacidade de se moverem num mundo em mudança. O que me inquieta e revolta é pensar que o país que lhes estou a deixar continua a tratá-los como mão-de-obra descartável e a oferecer-lhes um futuro que não está à altura deles. 
A reforma laboral agora em debate parte de um diagnóstico que ninguém de boa-fé pode negar. Portugal perdeu centenas de milhares de jovens, paga mal, oferece vínculos frágeis e transformou a emigração num plano de carreira forçado para demasiados dos seus melhores. Ainda assim, o Governo insiste em chamar modernização ao que, em muitos casos, não passa de uma forma mais polida de prolongar a precariedade. 
Reconheço que há medidas úteis. O alargamento do IRS Jovem e os apoios à compra da primeira casa aliviam alguma da asfixia que hoje sufoca quem começa a vida. A aposta na formação contínua também faz sentido, porque um país sem qualificação não é competitivo, é apenas mais injusto. E compreendo até o argumento das pequenas empresas, que muitas vezes vivem encostadas à instabilidade e à falta de escala. 
Mas compreender não é aceitar tudo. E é precisamente aqui que esta reforma falha. Alargar os contratos a prazo de dois para três anos, e nalguns casos para cinco, não é um ajuste técnico inocente; é uma escolha política com consequências humanas muito concretas. Significa dizer a uma geração inteira que pode esperar. Esperar para ter estabilidade. Esperar para sair de casa dos pais. Esperar para constituir família. Esperar para viver. E um país que manda os seus jovens esperar está, na verdade, a empurrá-los para partir. 
A contradição é gritante e quase insultuosa. O Estado diz aos jovens para ficarem, promete-lhes ajudas para comprar casa, mas aceita simultaneamente que muitos permaneçam sem o vínculo que os bancos exigem, que os senhorios exigem e que a vida adulta exige. Isto não é coerência. É cinismo institucional. É pedir enraizamento a quem se mantém de malas feitas. 
Se o tempo adicional servisse realmente para formar, integrar e fixar talento, ainda se poderia discutir o assunto, embora sempre com prudência. Mas em Portugal já vimos demasiadas vezes como estas soluções acabam: com o risco todo do lado do trabalhador e a conveniência toda do lado de quem contrata. Chamar a isso equilíbrio é um abuso de linguagem. Chamar-lhe reforma é, em muitos casos, uma mistificação. 
Eu recuso-me a aceitar que os meus netos herdem um país onde tudo é provisório: o emprego, o salário, a autonomia, a esperança. Um país assim não está a preparar o futuro; está a hipotecá-lo. 
Eu não quero deixar aos meus netos um país onde tudo é temporário.  Quero deixar-lhes um país onde valha a pena viver e trabalhar.

Jorge Martins Bettencourt "

Porquê Murcia ?

 ...... 12.Maio.2026

Porquê Murcia?

O misterioso navio russo não teria passado perto da nossa costa?


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A propósito de "Uma Europa dividida" (30.Abril) :

 ...... 11.Maio.2026

A propósito de "Uma Europa dividida" (30.Abril) :

De entre os muitos comentários suscitados seleccionei o que me pareceu mais sólido e apropriado, e do qual transcrevo o essencial:

"Ainda não é clara a intenção na criação da citada Northern Navies Initiative;

Parece ser mais motivada por interesses conjunturais do Reino Unido do que por visão estratégica de reforço de capacidades europeias;

 Supõe-se que o Reino Unido, potência marítima por vocação, mas com uma Marinha próxima da irrelevância, criou esta iniciativa como forma de manter uma liderança dificilmente justificável face às capacidades actualmente detidas pela sua  Marinha;

Será, a confirmar-se, uma jogada estratégica mais oportunista que inteligente, que, fragmentando mais do que agregando, não deixa de ter algum mérito.

Daí não ser de corroborar uma visão da oportunidade para a criação, a partir desta e/ou de iniciativas similares, de uma “Comunidade Europeia de Defesa”, pois iniciativas deste tipo na NATO, as quais, pela natureza sobranceira de muitos  países do Norte, mais não fizeram do que minar a coesão da Aliança.

Assim, o desejável seria a edificação e/ou robustecimento do propalado pilar europeu da NATO, única forma de a Europa poder ter uma estrutura minimamente eficiente e eficaz para responder aos tempos muito complexos de hoje e que, supõe-se, não se virão a desanuviar no curto-prazo.

Com efeito, a EU é militarmente uma irrelevância total, uma vez que não dispõe de uma estrutura de Comando credível, nem sequer planos, sejam eles de contingência ou de outro tipo, como desejado no Tratado de Lisboa desde 2009 (art.42.7).

O tempo urge, e não é o momento para começar a edificar tais estruturas e planos, muito menos ao ritmo dos burocratas de Bruxelas.

Ora, justamente por existirem estrutura de C2 e planos e, não menos importante, padrões de interoperabilidade na NATO, a melhor opção estratégica passará sempre pelo robustecimento da defesa da Europa - mas no quadro da Aliança - mesmo face à grande incerteza do posicionamento dos EUA.

Esta perspectiva é também suportada nas  seguintes ideias:

- o elo transatlântico, ainda que com muito menor capacidade, mantém-se pela relação com o Canadá;

- se optarmos por um pilar europeu de defesa gerado na UE, assistiremos, por certo, a uma abordagem eurocêntrica,  porque os países de maior peso têm vocação continental e não marítima, e mesmo países com Marinhas relevantes, como as de França e Espanha.

Como tal, e apesar do dilema que resulta do posicionamento americano e da irrelevância britânica, temos de nos manter sempre associados à potência marítima, o que só será possível no seio da NATO."

 -------- (É reconfortante receber comentários com este nível.)


----------(Esclareço entretanto que a sugerida Comunidade Europeia de Defesa teria uma natureza supra-regional, tal como a proposta em 1952). 


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Hoje, Dia da Europa

 ...... 9.Maio.2026

Hoje, Dia da Europa.

A decisão formal de instituir o dia 9 de Maio como o Dia da Europa foi tomada pelos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Europeia durante o Conselho Europeu de Milão, que decorreu nos dias 28 e 29 de junho de 1985.

O seu objectivo tem sido o de, através da cooperação entre os países europeus, evitar que as guerras fossem evitadas.

Diversas formas foram utilizadas para o efeito, tendo a mais recente sido a constituição da União Europeia.

Hoje periclitante - tendo aliás ocorrido a conhecida "Brexit", bem como inflexões políticas nalguns Estados-Membros, incluindo os Estados-Unidos da América do norte, que têm enfraquecido a sua  coesão (aliás também no quadro da OTAN-NATO).

Estamos assim no tempo de reflectirmos sobre a nossa estratégia de Defesa.

E, em consequência, actuarmos no sentido da sua concretização.

Decisões que serão a melhor forma de celebrarmos o presente Dia.

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Uma Europa dividida...

 ...... 30.Abril.2026

Uma Europa dividida...

De acordo com a Imprensa, foi criada há dias uma nova força multinacional marítima, liderada pelo Reino Unido, designada como "Aliados do Norte" (ou Northern Navies Initiative), que funcionará de forma complementar à NATO.

​Esta força baseia-se na estrutura da já existente JEF (Joint Expeditionary Force) e visa aumentar a capacidade de resposta imediata e a dissuasão no Ártico e no Atlântico Norte, especialmente face ao aumento da actividade naval russa.

​Os países europeus que assinaram esta declaração de intenções terão sido:

​De Estados-Membros da União Europeia:

  • Dinamarca
  • Estónia
  • Finlândia
  • Letónia
  • Lituânia
  • Países Baixos
  • Suécia

​De outros Países Europeus (Não-UE):

  • Reino Unido (Líder da iniciativa)
  • Noruega
  • Islândia

​Como Pontos-chave desta nova força:

  • Independência Operacional: Embora seja um "complemento" à NATO, esta força está desenhada para poder agir de forma autónoma caso a burocracia ou decisões políticas da Aliança Atlântica atrasem uma resposta urgente.
  • Foco Geográfico: A prioridade é a proteção da "fronteira marítima aberta" a norte e das infraestruturas críticas submarinas.
  • Integração: O objetivo é que estas marinhas passem a operar com planos de guerra conjuntos, partilha de munições, equipamentos e até pessoal (intermutabilidade).
  • Sede: A coordenação será feita a partir do quartel-general militar de Northwood, no Reino Unido.

​Note-se que, de acordo com as informações mais recentes, o Canadá também estará a considerar juntar-se a este grupo. Os Estados Unidos, sob a administração Trump em 2026, não fazem parte desta força específica, tendo o seu Presidente mantido uma postura crítica em relação aos custos e à eficácia de certas capacidades navais europeias.

Permito-me recordar que há muito tempo que tenho vindo a propor - nestas páginas, e na EuroDefense - a criação de uma "Comunidade Europeia de Defesa" (aliás já sugerida em 1952), e reforçando tal proposta aquando da "Brexit":

https://costacorreia.blogspot.com/2022/05/blog-post_16.html?m=1

Aliás, seja-me permitido recordar que a fronteira marítima Sul da novel "Aliados do Norte" está na nossa enorme ZEE - o que também recomendaria que Portugal fizesse parte da citada Aliança...

(Pois nesta área a frequência da passagem de navios de guerra de "actividade naval russa" é bem conhecida -  sendo-a até muito pouco a de natureza submarina...)

(Pobre Europa, que demora tanto a compreender que não se pode  dispersar de tal modo !)

- (9.Maio.2026: até ao momento a presente intervenção foi objecto de 49 consultas, e de 4 comentários, dos quais 2 em desacordo).

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Ainda não há nenhum São Donald ...

 ..... 28.Abril. 2026

Efígie de Don Trump figurará em Passaportes... 

(Também - pois já está ao lado de Kennedy e em diversos Edifícios Oficiais, bem como está programado para ser o nome da classe das projectadas novas Fragatas...)

(Atenção Movimento MAGA :

Ainda não há nenhum São Donald ...

"Fazei as pazes" com Leo !) 

António Costa e a Operação "Influencer". "

 ...... 28.Abril.2026

António Costa e a Operação "Influencer". "

Dadas as notícias vindas hoje a público, António Costa continuará a exercer funções públicas? Ou dará explicações?


Esquecimentos eleitorais ...

...... 25 de Abril de 2026

Esquecimentos eleitorais ...

Hoje ocorre o 50⁰ aniversário das primeiras Eleições para a Assembleia da República.

Está a decorrer quase sem ser publicamente mencionado.

Pelo menos, deixai-me recordar - e assim modestamente homenagear - o reduzido mas empenhado Grupo que organizou a estrutura eleitoral que permitiu a respectiva realização, com grande sucesso e graças à impressionante participação dos Portugueses recenseados.

Grupo cujo nome era o STAPE -  Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral, e com
o qual também colaboraram diversas entidades e personalidades

Tive a honra de poder organizar e dirigir o STAPE a partir de Outubro de 1975, até ao termo das primeiras 5 eleições constitucionais (Assembleia, Presidente da República, Assembleias das Regiões Autónomas, e das Autarquias Locais)

Sugeriria que o nosso país  homenageasse todos quantos participaram na organização destes actos eleitorais.

(Sempre se tratou de um Cinquentenário...)

Esperança na Democracia: uma Assembleia Jovem de Freguesia: em Algés.

...... 22.Abril.2026

Esperança na Democracia - uma Assembleia Jovem de Freguesia: em Algés.

Uma lufada de ar fresco surgiu ontem: na iniciativa da criação, em Algés, de uma inovadora "Assembleia de Freguesia Jovem", composta apenas por jovens, convidados pelos cidadãos pertencentes à própria Assembleia de Freguesia da União das freguesias de Algés, Linda-a-Velha, Cruz Quebrada, e Dafundo.

Presidida pela Presidente da Assembleia, Dra. Carla Mendes Jorge, e estando na assistência diversos dos respectivos Deputados, bem como o Presidente da União, Dr.António Lopes da Costa, seguiu os procedimentos regimentais, tendo sido apresentadas diversas propostas interessantíssimas, que foram objecto de corteses análises  e das respectivas votações, e que provavelmente serão objeto de apreciação pela própria Assembleia de Freguesia normal.

Oxalá possa tal iniciativa ser imitada em muitas outras Freguesias.

Seria uma lufada de ar fresco na nossa Democracia - e exemplo para outras.

Talvez a pequenísima assistência presente possa vir a  aumentar - refrescando assim a vida política e melhorando o sentimento de alguma frustração que é notoriamente sentido pela falta de uma maior participação pública dos cidadãos!

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"In Don we trust !"

 ......13.Abril.2026


Para que não se esqueça que Don Trump ,"St.Donald" ...

... tentou apresentar-se como um Jesus Cristo !





Turquia e Israel

 ...... 13.Abril.2026

Na Turquia, sobre Israel: NetayaHitler?

https://www.mirror.co.uk/news/world-news/turkish-president-erdogan-calls-netanyahu-37002875

O Brinde à Liberdade

...... 7.Abril. 2026

O Brinde à Liberdade


Recorre-se, mais uma vez, a um texto  de Jorge Bettencourt, agora para assinalar episódios ocorridos há 60 anos, em que   Jorge Miranda (à direita na foto - obtida ontem) e Luís Costa Correia discorriam sobre o futuro de Portugal:

terça-feira, 7 de abril de 2026

O brinde da Liberdade

A imagem de dois homens de cabelos brancos, brindando com um copo de vinho tinto enquanto uma cópia da Constituição da República Portuguesa repousa sobre a mesa, encerra em si mais do que uma celebração de amizade; é o retrato da síntese histórica que permitiu a transição de Portugal para a modernidade democrática. À direita, Jorge Manuel Moura Loureiro de Miranda, o jurista que deu forma normativa à liberdade; à esquerda, Luís Manuel Dias Costa Correia, o oficial de Marinha que garantiu a integridade logística da vontade popular. O encontro original entre eles, ocorrido há seis décadas, não foi apenas uma coincidência de escalas de serviço, mas o prelúdio de uma cooperação silenciosa entre o pensamento jurídico e a acção militar que viria a ser o garante da estabilidade constitucional portuguesa.

Para compreender a profundidade do vínculo entre Jorge Miranda e Luís Costa Correia, é imperativo recuar ao Portugal de 1966. O país encontrava-se mergulhado no esforço da Guerra Colonial, e a Marinha, enquanto ramo tecnologicamente mais avançado das Forças Armadas, servia como um ponto de confluência entre a elite militar de carreira e a elite intelectual universitária convocada através da Reserva Naval.

A Direcção do Serviço de Armas Navais (DSAN) era o centro nevrálgico da manutenção, desenvolvimento e gestão dos sistemas de armas da Armada. Num período em que a Marinha Portuguesa modernizava a sua frota para responder aos desafios nos teatros de operações africanos e aos compromissos no âmbito da NATO, a DSAN exigia um rigor administrativo e técnico sem precedentes. Foi neste ambiente de precisão e hierarquia que o Oficial da Reserva Naval Jorge Miranda foi colocado após concluir o 8.º CEORN - Curso Especial de Oficiais da Reserva Naval.

A Reserva Naval (RN) funcionou, involuntariamente por parte do regime de Salazar e Caetano, como um "cavalo de Tróia" da democracia. Ao recrutar os melhores licenciados para servirem como oficiais, a Marinha permitiu que o pensamento liberal e democrático circulasse entre os oficiais de carreira. Jorge Miranda, já então um jurista distinto, trazia consigo o rigor do Direito Público, enquanto Luís Costa Correia possuía a experiência de quem vira a realidade do país e das colónias de perto, imbuído de um espírito democrático que remontava à sua juventude.

Nascido em Setúbal em 1939, Luís Costa Correia representa a linhagem de oficiais da Marinha que souberam distinguir a lealdade à Pátria da obediência cega a um regime caduco. Integrou o Movimento das Forças Armadas (MFA) e teve um papel activo na ocupação da PIDE/DGS no 25 de Abril de 1974, um acto simbólico e prático de desmantelamento do aparelho repressivo. Mas o maior contributo de Luís Costa Correia para a democracia portuguesa ocorreu fora da Marinha, utilizando a disciplina nela aprendida. Como Director-Geral do Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) entre 1975 e 1977, foi ele o arquitecto do primeiro recenseamento eleitoral democrático em Portugal e o organizador das primeiras eleições livres para os novos órgãos de soberania.

Jorge Miranda, nascido em Braga em 1941, percorreu um caminho que o elevou ao estatuto de "Pai da Constituição" de 1976. A sua passagem pela Marinha como oficial da Reserva Naval não foi um mero parêntese na sua vida académica, mas uma experiência fundacional que lhe permitiu compreender a importância da autoridade do Estado submetida à lei. Eleito deputado pelo Partido Popular Democrático (PPD) em 1975, Jorge Miranda foi um dos principais redactores da Constituição de 1976. Uma missão delicada, pois era necessário criar um texto que aceitasse as conquistas sociais da Revolução, mas que as enquadrasse num Estado de Direito democrático clássico, com separação de poderes e garantias de direitos fundamentais. O seu contributo foi essencial na definição da estrutura do sistema político português — o chamado semipresidencialismo — que permitiu um equilíbrio de poderes entre o Presidente da República, o Governo e o Parlamento. Jorge Miranda foi também o defensor acérrimo da fiscalização da constitucionalidade, assegurando que nenhuma lei, por mais popular que fosse no momento, pudesse violar os princípios basilares da dignidade humana.

A fotografia que suscitou este texto é assim o epílogo feliz de uma narrativa de serviço e amizade. O brinde entre Jorge Miranda e Luís Costa Correia celebra os 60 anos passados desde que se conheceram e tudo começou. O facto de terem à mesa a Constituição da República Portuguesa não é um adereço, mas o testemunho do seu trabalho comum: um deu-lhe o espírito e a letra; o outro deu-lhe a base material e a legitimidade do voto.

A importância destas duas personalidades para o regime democrático reside na sua capacidade de transcender as suas funções originais. Costa Correia não foi apenas um marinheiro; foi um democrata que operou a máquina do Estado para devolver a palavra ao povo. Jorge Miranda não foi apenas um professor; foi o arquitecto que garantiu que essa palavra se tornasse uma lei perene. Juntos, representam o melhor da transição portuguesa: a união entre a autoridade responsável e a liberdade ordenada. O brinde que hoje partilham é, em última análise, um brinde de todos os portugueses à estabilidade de uma democracia que, apesar de tudo, soube encontrar o seu porto seguro na lei e na vontade soberana.

Jorge Bettencourt





Que vergonha para os EUA!

 ...... 5.Abril.2026

Que vergonha para os EUA!

Um Presidente que se exprime assim:

"Tuesday will be Power Plant Day, and Bridge Day, all wrapped up in one, in Iran," he wrote on Truth Social. "There will be nothing like it!!! Open the F**kin' Strait, you crazy b*stards, or you'll be living in Hell - JUST WATCH! Praise be to Allah. President DONALD J. TRUMP.". !

( Em breve talvez seja conhecido por Trumpéssimo...,)

Sobre o Grande Salão de Baile do Trumpéssimo...

 ...... 4.Abril.2026

Sobre o Grande Salão de Baile do Trumpéssimo... 

"President Trump has been talking about his plans for the military Bunker beneath what was once the East Wing, details of which are usually kept secret, as he tries to justify his White House renovation."

Admite-se que a explicação esteja relacionada com a famosa canção de Bruce Springsteen - "Dancing in The Dark" (fácil de se encontrar no "YouTube") da qual eis um trecho significativo sobre o Reduto que ficaria sob o Salão de Baile:

"You can't start a fire

You can't start a fire without a spark

This gun's for hire
Even if we're just dancin' in the dark "
...........


Mais uma do Trumpéssimo...

 ...... 3.Abril.2026

Mais uma do Trumpéssimo...

https://zap.aeiou.pt/trump-goza-com-macron-ainda-esta-a-recuperar-do-soco-que-levou-da-mulher-735251

Um educadissimo carroceiro de fino trato, cujo nível será certamente avaliado por quem nele votou...