"Ponto de vista": A Assembleia militar de 11 de Março de 1975. ("Semimórias")


     A Assembleia militar de 11 de Março de 1975. 
    ("Semimórias")

    No quadro das "semimórias" que tenho vindo a publicar, e que se centram sobre aspectos em que tive intervenção pública, faltava complementar a que se referia ao episódio conhecido como o "11 de Março" (1975), que é relatado em texto consultável a partir daqui.
    
    Assim, naquele dia e após o meu regresso a casa, e já bem de noite, fui surpreendido por um telefonema do então 1.º Tenente Fernando Melo Gomes informando que era solicitada a minha presença urgente no Instituto de Defesa Nacional, onde se realizava uma Assembleia militar ,a fim de explicar as razões pelas quais tinha estado junto ao Regimento de Artilharia de Lisboa, bem como os termos da minha intervenção, e que se colocava ao meu dispor para me transportar em viatura.

    Entrei no anfiteatro e de imediato me foi dada a palavra.

    Esquecendo os termos talvez algo inquisitoriais de tal solicitação, e perante um silêncio profundo dos participantes, aproveitei para reiterar os princípios pelos quais tinha vindo a pautar a minha atitude perante a situação que se vivia: tendo acreditado que o regime político do "Estado Novo" só poderia e deveria tombar na sequência de um golpe-de-estado executado por oficiais que tivessem em mente a instauração da democracia; e que uma vez que tal objectivo tinha sido conseguido,  os militares deviam retirar-se do exercício do poder político, tal como vinha a acontecer e com riscos de se repetirem episódios como o que tinha acabado de ocorrer, e colaborar na respectiva consolidação; pelo que nessa perspectiva se deveriam realizar no prazo previsto as essenciais eleições para a Assembleia Constituinte.

    Não esperei por comentários, tendo saído logo da sala, recordando-me que o então Tenente-Coronel Loureiro dos Santos e outro oficial da mesma patente (creio que o Tenente-Coronel Pimentel) foram esperar-me para me felicitar dizendo-me que tinha sido corajoso ao fazer aquela intervenção numa assembleia que tinha estado a decorrer em termos altamente emocionais.

    Soube que o General Costa Gomes, que presidia à citada Assembleia, afirmou posteriormente que eu tinha proporcionado melhores condições, com as minhas palavras em favor da realização das eleições, para que ele - enquanto Presidente da República - tivesse afirmado perante aquela assembleia que as eleições se realizariam no prazo previsto.

14.Outubro.2018