Dia da Marinha

 ...... 20.Maio.2026

Dia da Marinha - 2026

Decorreu hoje em Setúbal a Comemoração do Dia da Marinha, cuja celebração se prolongará até ao dia 24 do corrente mês. 

Presidida pelo Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional, bem como pela Dra. Lurdes Meira - Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, a Cerimónia constou da apresentação  de uma simples e também bela e simbólica obra de arte "mirando" o rio Sado, "governada" por adequada Roda de Leme, tendo o Almirante Nobre de Sousa proferido uma interessante  alocução, na qual as responsabilidades actuais da Marinha foram oportunamente recordadas de modo marcante, palavras que foram seguidas por um sentido discurso da Ex.ma Presidente da Câmara Municipal, visivelmente emocionada com a escolha de Setúbal para esta Celebração.

Acompanhados pelo Capitão do Porto de Setúbal, e por outros altos responsáveis da Marinha, bem como por outras entidades oficiais e pessoas - setubalenses e outros visitantes - as e os presentes tiveram a oportunidade de conhecer - no mesmo local - uma interessante Exposição descritiva das actividades da Marinha - que continuará presente mais alguns dias.

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Um país a prazo ?

 ...... 18.Maio.2026

Um notável texto de Jorge Martins Bettencourt

"MEUS NETOS NÃO PODEM HERDAR UM PAÍS A PRAZO

Sou avô de oito netos das gerações Z e Alfa. Olho para eles e vejo inteligência, curiosidade, preparação e uma espantosa capacidade de se moverem num mundo em mudança. O que me inquieta e revolta é pensar que o país que lhes estou a deixar continua a tratá-los como mão-de-obra descartável e a oferecer-lhes um futuro que não está à altura deles. 
A reforma laboral agora em debate parte de um diagnóstico que ninguém de boa-fé pode negar. Portugal perdeu centenas de milhares de jovens, paga mal, oferece vínculos frágeis e transformou a emigração num plano de carreira forçado para demasiados dos seus melhores. Ainda assim, o Governo insiste em chamar modernização ao que, em muitos casos, não passa de uma forma mais polida de prolongar a precariedade. 
Reconheço que há medidas úteis. O alargamento do IRS Jovem e os apoios à compra da primeira casa aliviam alguma da asfixia que hoje sufoca quem começa a vida. A aposta na formação contínua também faz sentido, porque um país sem qualificação não é competitivo, é apenas mais injusto. E compreendo até o argumento das pequenas empresas, que muitas vezes vivem encostadas à instabilidade e à falta de escala. 
Mas compreender não é aceitar tudo. E é precisamente aqui que esta reforma falha. Alargar os contratos a prazo de dois para três anos, e nalguns casos para cinco, não é um ajuste técnico inocente; é uma escolha política com consequências humanas muito concretas. Significa dizer a uma geração inteira que pode esperar. Esperar para ter estabilidade. Esperar para sair de casa dos pais. Esperar para constituir família. Esperar para viver. E um país que manda os seus jovens esperar está, na verdade, a empurrá-los para partir. 
A contradição é gritante e quase insultuosa. O Estado diz aos jovens para ficarem, promete-lhes ajudas para comprar casa, mas aceita simultaneamente que muitos permaneçam sem o vínculo que os bancos exigem, que os senhorios exigem e que a vida adulta exige. Isto não é coerência. É cinismo institucional. É pedir enraizamento a quem se mantém de malas feitas. 
Se o tempo adicional servisse realmente para formar, integrar e fixar talento, ainda se poderia discutir o assunto, embora sempre com prudência. Mas em Portugal já vimos demasiadas vezes como estas soluções acabam: com o risco todo do lado do trabalhador e a conveniência toda do lado de quem contrata. Chamar a isso equilíbrio é um abuso de linguagem. Chamar-lhe reforma é, em muitos casos, uma mistificação. 
Eu recuso-me a aceitar que os meus netos herdem um país onde tudo é provisório: o emprego, o salário, a autonomia, a esperança. Um país assim não está a preparar o futuro; está a hipotecá-lo. 
Eu não quero deixar aos meus netos um país onde tudo é temporário.  Quero deixar-lhes um país onde valha a pena viver e trabalhar.

Jorge Martins Bettencourt "