......26.Março.2026
Jacinto Godinho: sobre Almada Contreiras
Jacinto Godinho - um dos nossos melhores jornalistas - mantém a convicção de que os homens são marcados pelos seus ideais, pelas suas ideias e pelos seus afectos, pelo que considerava (e considera) o comandante Carlos Contreiras como alguém que reunia tudo isso a um nível superlativo, simbolizado — e marcado — pelo seu sorriso.
Eis o que Jacinto Godinho nos diz a tal propósito:
Uma homenagem na sua terra, a poucos quilómetros do Monte Gavião, onde nasceu e onde se formou como um ser humano de qualidades excepcionais, foi, sem dúvida, aquela de que mais teria gostado.
Sentimo-nos humildes ao recordar aquele grande homem numa cerimónia de conforto, descontraída, em que se salientou a importância dos que com ele marcaram e transformaram politicamente o rumo da revolução.
Eu testemunhei - na presença de Luísa Tiago de Oliveira e de Manuel Martins Guerreiro, bem como dos muitos que ali estiveram - sobretudo o seu legado, explicando como foi determinante para alguns dos trabalhos relevantes que julgo ter realizado.
Mas esse não foi o maior dos legados daquela gesta de revolucionários. A minha vida teria sido diferente se não fosse o 25 de Abril — a minha e a de milhares de jovens do interior que, na altura, antes da revolução, não tinham a mínima hipótese de sonhar com o progresso na educação até à frequência universitária.
Um dos importantes legados que lhe devemos é o combate incansável pela memória do 25 de Abril, levado a cabo através da colecção de livros que editou e fomentou, batalhando arduamente pela sua concretização.
Mostrei, perante os presentes, imagens do arquivo da RTP, as pegadas audiovisuais deixadas por Contreiras para a memória, desde a tomada de posse no Conselho de Estado até à senha do 25 de Abril, “Grândola, Vila Morena”.
Enfim, no meio de tudo isto, sentimos muito a falta de Carlos Contreiras.
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