Os Triplo-Tratados Ibéricos

 ..... 5.Julho.2026

Os Triplo-Tratados Ibéricos

Exmo. Senhor Presidente da República,


Na sequência da reflexão suscitada pela proximidade do V Centenário do Tratado de Saragoça, assinado em 1529, e da celebração concomitante, no mesmo ano de 2029, dos 550 anos do Tratado de Alcáçovas (1479), tendo presente a importância histórica, diplomática e simbólica destes marcos, vimos respeitosamente submeter à elevada consideração de Vossa Excelência a conveniência de promover, em articulação com o Governo da República e em coordenação com o Reino de Espanha, a celebração conjunta destas efemérides em 2029.

O Tratado de Saragoça constituiu um momento decisivo da ordenação do espaço global na transição para a Modernidade, completando o ciclo iniciado precisamente há 550 anos com o Tratado de Alcáçovas-Toledo, que foi o primeiro instrumento de direito internacional a formalizar esferas de influência fora do continente europeu. Em articulação com o de Tordesilhas, estes acordos formaram um sistema jurídico e diplomático singular de negociação entre Portugal e Espanha, com efeitos duradouros na definição de fronteiras, na circulação global de pessoas, bens e saberes, e na construção do espaço internacional. 

A sua comemoração conjunta oferece, por isso, uma oportunidade ímpar para afirmar a centralidade histórica de Portugal, valorizar a cooperação luso-espanhola e projetar, no plano europeu e internacional, uma memória partilhada assente na diplomacia, no conhecimento e na responsabilidade civilizacional.

Propomos, assim, que o programa comemorativo seja estruturado em quatro eixos fundamentais, a desenvolver em coordenação bilateral.

O primeiro eixo, dedicado à Diplomacia e à Paz, deverá sublinhar o valor histórico desta tradição de resolução negociada de litígios internacionais, que remonta a Alcáçovas e culmina em Saragoça. Neste domínio, poderão ser consideradas iniciativas como uma Cimeira Ibérica Comemorativa, uma Declaração Conjunta Luso-Espanhola e um fórum de reflexão sobre mediação, multilateralismo e cooperação marítima.

O segundo eixo, consagrado à Ciência e à Cartografia, deverá valorizar o legado náutico, astronómico e geográfico associado à demarcação do globo, desde a divisão latitudinal de Alcáçovas até ao fecho geométrico de Saragoça. Poderão ser promovidos um Congresso de História Marítima, uma edição fac-similada e crítica dos documentos fundamentais, uma exposição itinerante e a criação de um portal digital comum de fontes históricas e cartográficas.

O terceiro eixo, referente à Globalização e ao Património, deverá destacar a dimensão mundial destes tratados. Este eixo poderá incluir uma candidatura conjunta à UNESCO, um roteiro patrimonial associado à expansão ibérica e uma programação cultural internacional com escala nos territórios historicamente ligados aos tratados, incluindo a Ásia-Pacífico e a América Latina.

O quarto eixo, orientado para a Educação e Juventude, deverá assegurar a transmissão deste legado às novas gerações, mediante programas pedagógicos partilhados, concursos escolares e intercâmbios entre jovens.

A execução deste programa justificará a constituição de uma comissão bilateral de coordenação, permitindo calendarizar e consolidar comemorações de elevado nível com dimensão nacional e projeção internacional. Em termos de oportunidade política e diplomática, celebrar estes 550 anos de diplomacia global iniciada em Alcáçovas e os 500 anos da sua conclusão em Saragoça permitirá a Portugal reforçar a sua relação estratégica com Espanha e o diálogo com os espaços geográficos da primeira globalização.

Nestes termos, submetemos à consideração de Vossa Excelência a presente proposta, com vista ao estudo e eventual promoção de uma comemoração conjunta em abril de 2029, nos moldes mais adequados à dignidade do Estado e ao prestígio de Portugal.

Com a mais elevada consideração,

Jorge Lourenço Gonçalves 
Jorge Martins Bettencourt 
Luís Costa Correia 

navegaolargo@gmail.com


O incrível "senhor Trump" !

..... 8.Jul.2026 O incrível "senhor Trump" ! Dos órgãos de informação pública de hoje: "During the opening of the NATO summit in Ankara, Turkey, President Trump publicly ordered Treasury Secretary Scott Bessent to halt all trade with Spain, and Bessent responded precisely with, "Yes, sir." ​Here is how the exact exchange unfolded during a press conference alongside NATO Secretary General Mark Rutte: ​Trump: "Spain doesn't agree to anything, and you shouldn't carry them. I don't want to do any trade with them, alright?" (turning to Bessent) ​Bessent: "Yes, sir." ​Trump: "Take it immediately. Don't even talk to them. They're hopeless. They're bad people. They make so much money with us, and we're going to see that they make a lot less. I want no business with them." Paul Krugman comentou assim este episódio: "Presidents have a lot of discretionary authority on tariffs and trade, more than they should, but you do not have the right as president to impose tariffs on a country just because you don’t like their defense spending or you think that they haven’t been nice enough to you. So this would not fly even in the Trump administration. Even with a supine congress and a permissive Supreme Court this is not going to happen. Also Spain is part of the European Union. So this is like Europe declaring “we’re cutting off all trade with Florida”: they can’t do that. And also, there’s a lot of U.S. business with Spain. In fact, Spain is one of those countries with which we run a trade surplus. So U.S. business would be howling. So this is all a non-event, this is is not something that is real. Except that the President of the United States did say this. It was completely crazy, and that’s the story that we should be taking from this. It’s not really at this point about economics. It doesn’t even make sense to talk about Trump Administration policies, let alone ideology. What we have is President Sundowner. I mean, this this is completely insane stuff. In any kind of normally functioning political system, in any kind of normally functioning party environment we would have a massive bipartisan call across the aisle, across almost everybody except for a handful of members of congress who are themselves crazy, to say okay this guy is non compos mentis. We cannot leave the fate of the United States or the world in the hands of somebody who is completely irrational, who is making demands and believing himself to have powers that he does not. And of course, instead, not only does everybody pretend that he’s still a rational human being, but the Republican Party, the Trump administration, is full-on engaged in trying to build a personality cult. What this says to me is that the problem is a lot bigger than Trump. Something is fundamentally wrong with America, and at this point you don’t have to go through complicated justifications. You can just say something is wrong with a country and a system that lets this guy remain in a position of power." (Nota:Trump,ou Trumpéssimo?)